quinta-feira, agosto 21

as vezes, tudo que eu queria era ser uma mentira
uma personagem, uma invenção, mais uma interpretação de globo de ouro e outro e qualquer um menos eu
porque me dói ser eu mais do que me dói não poder sem ninguém mais
ou menos
porque sinto muito
sinto tudo
e preferia não
o horror de não entender nem mesmo o que se sente
consome, asfixia e prende em quatro pés que não aprenderam a andar
fecha cortinas e dispensa o relógio
não se sabe se é dia, noite ou em vida
o horror de não saber nem mesmo se sente algo
se o peito reclama a dor ou o oco
se o pranto é história ou puro organismo em autolimpeza
se existe saudade ou é comodismo
se existe vontade ou é empatia
se existe liberdade ou é desespero por se fazer valer de algo
que um pouco mais de comprimidos, cigarros querendo ser acesos e vontade de não existir