segunda-feira, novembro 3

e ele tenta dominar meus pensamentos, minhas verdades, meu respeito, minha vontade, meu choro, minha liberdade, meu peito direito que é menor que o esquerdo, meus motivos, meus fins, minha voz, meu suspiro, meu sono, meu fone de ouvido, minha miopia, meu pulso.
tenta tanto que esquece de se conter.
não existe aritmética, e se existisse eu seria a média porque nunca fui grande o suficiente pra tomar conta de mim.

preciso crescer em pê gê.

quinta-feira, agosto 21

as vezes, tudo que eu queria era ser uma mentira
uma personagem, uma invenção, mais uma interpretação de globo de ouro e outro e qualquer um menos eu
porque me dói ser eu mais do que me dói não poder sem ninguém mais
ou menos
porque sinto muito
sinto tudo
e preferia não
o horror de não entender nem mesmo o que se sente
consome, asfixia e prende em quatro pés que não aprenderam a andar
fecha cortinas e dispensa o relógio
não se sabe se é dia, noite ou em vida
o horror de não saber nem mesmo se sente algo
se o peito reclama a dor ou o oco
se o pranto é história ou puro organismo em autolimpeza
se existe saudade ou é comodismo
se existe vontade ou é empatia
se existe liberdade ou é desespero por se fazer valer de algo
que um pouco mais de comprimidos, cigarros querendo ser acesos e vontade de não existir

quinta-feira, janeiro 2

eu só queria saber enfrentar a tal da fila do pão sem assar meus neuronios em dialogos que nunca hão de acontecer com gente que nem mesmo existe e que é melhor assim porque mais vale ser invenção na cabeça dos outros do que repetição de si mesmo como um gago que tem as cordas vocais engaiolando o peito e esse peito de peru anda caro demais mas me vê cem gramas mesmo assim moço porque é o preço que se paga por dois minutos de uma lógica que depois do caixa vira um miolo que nunca mais fermentará