o que mais dói em me apaixonar não é o peito latejando, pedindo pra sair e só voltar quando tiver outro dentro de mim. não são as costas rijas, tensas, curvadas por horas na espera de uma nova mensagem monossilábica que seja. não são as mãos frias e suadas, com medo de desagradar, como quem mora à beira do abismo e teme não convencer a morte de que quer ficar nesse plano. não são as pernas inquietas e sem rumo, que ao vê-lo ir pra longe só correm.
socorro.
não é a boca seca, muda, que grita em silêncio e canta em dó lá no fundo que ele tem a si e a mi. não é a cabeça pós-sangria, na ressaca burra de quem tenta esquecer em uma hora o que outras vinte e três só fazem lembrar. não é o rosto salgado e ardido de pranto sem razão. não é o maxilar arraigado num sorriso que não murcha, quase como de plástico, nunca felicidade que não se recicla.
não é o corpo todo, não é em corpo nenhum.
o que mais dói é saber que, de tantas dores, é a ideia de parar de sentir que me põe a sofrer.
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